Ajustando o foco

10.06.2015

 

Enquanto a Grécia continua ditando o ritmo dos mercados internacionais, neste dia de agenda mais fraca no exterior, os negócios locais ajustam o foco para o noticiário doméstico e dividem as atenções entre os indicadores e os eventos econômicos nesta quarta-feira.

 

Pela manhã, às 9 horas, sai o resultado de maio da inflação oficial no Brasil, que deve ter taxa de 0,59%, na mediana das expectativas, desacelerando-se ante a alta de 0,71% em abril. O dado, combinado com o conteúdo da ata da reunião do Copom na semana passada, a ser divulgada amanhã cedo, tende a dar pistas quanto à extensão e à carga total do atual ciclo de aperto da Selic, movimentando o mercado de juros futuros.

 

Na imprensa, veicula-se que “números pavorosos” da atividade doméstica têm levado analistas a defender a tese de que o Banco Central já teria ido longe demais com a alta da taxa básica - podendo, inclusive, dificultar a realização do ajuste fiscal.

 

Falando nele, a Câmara dos Deputados deve colocar em votação, nesta tarde, o projeto de lei que revê as desonerações sobre a folha de pagamento das empresas. A estimativa inicial do Executivo era de que a redução do benefício gerasse uma arrecadação de cerca de R$ 25 bilhões aos cofres públicos, mas alguns setores devem ser excluídos da medida, reduzindo o montante a ser arrecadado.

 

Antes, na hora do almoço, às 12h30, o BC entra em cena para anunciar os números semanais do fluxo cambial, que podem influenciar o dólar. Também são esperados para hoje os indicadores de custos industriais da CNI e o fluxo de veículos em estradas com pedágio calculado pela ABCR. Logo cedo, às 8h, sai o indicador antecedente de emprego da FGV neste mês.

 

Já no exterior, o único dado programado para o dia é o relatório mensal de orçamento dos Estados Unidos em maio, às  15 horas. A ausência de indicadores norte-americanos relevantes hoje abre espaço para uma recuperação das bolsas de Nova York, antes dos números do varejo no país, amanhã. Os futuros dos índices acionários em Wall Street avançam nesta manhã, em uma tentativa de interromper uma sequência de quedas na sessão regular.

 

Na Europa, as principais bolsas também sobem, assim como o juro dos bônus soberanos. Os investidores digerem o salto do yield (rendimento) do bund alemão de 10 anos para além de 1%, pela primeira vez desde setembro de 2014, ao mesmo tempo que monitoram as negociações sobre a dívida grega.

 

Uma nova onda de turbulência atinge os mercados de bônus nesta manhã,  com o título referencial da Alemanha indo a 1,02%, mais cedo. O comportamento do papel agita os negócios com ações, que têm fôlego de alta limitado, uma vez que o tempo está se esgotando para a Grécia. Novamente na contramão, a Bolsa de Atenas caía.

 

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, volta a se encontrar com a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, hoje, em Bruxelas, para buscar um progresso nas negociações sobre a dívida do país mediterrâneo. Para analistas do Bank of America Merrill Lynch, se Atenas quebrar o impasse e selar um acordo com seus credores, o rali das bolsas europeias será maciço, da ordem de 5%. Um “Grexit” é pouco provável, afirmam.

 

Entre as moedas, o euro e a libra esterlina estão de lado, com ligeiro viés de alta, cotados a US$ 1,13 e US$ 1,55. No Reino Unido, a produção industrial subiu 0,4% em abril ante março, mais que a previsão de alta de 0,1% e depois de um inesperado incremento de 0,6% no mês anterior.

 

Também na capital da Bélgica está a presidente Dilma Rousseff. Ela chegou nesta manhã à cidade, onde irá participar da cúpula de países da União Europeia (UE) e do Mercosul. No encontro, Dilma vai propor troca de ofertas de liberalização entre os dois blocos já a partir do início do segundo semestre.

 

A viagem de Dilma até a Europa foi encurtada, de modo que a presidente participe do Congresso do PT, em Salvador, a partir de amanhã. Já o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, volta a receber governadores.

 

Hoje, o encontro será com o de Pernambuco, Paulo Câmara. Ontem, em meio às declarações recentes de Dilma e do seu vice, Michel Temer, Levy, disse não ser “nem Judas, nem Jesus, mas São Cristóvão”, referindo-se a um santo padroeiro dos transportes, ainda em alusão ao plano de concessões.

 

Por sua vez, o secretário do Tesouro, Marcelo Saintive, recebe o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo. Dirigentes do BC participam de um evento no Rio. Estarão presentes, o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, além do diretor de política econômica, Luiz Awazu, entre outros membros do colegiado.

 

Na Ásia, não foi desta vez que a China entrou na carteira teórica do índice MSCI, que reúne ações da região Ásia-Pacífico exceto Japão. Em reação, a Bolsa de Xangai caiu pelo segundo dia seguido, com -0,2% hoje.

 

O MSCI optou por primeiro trabalhar juntamente com regulador de valores mobiliários da China para tentar superar obstáculos remanescentes à inclusão do mercado acionário no seu principal índice referencial para a região. O MSCI disse ainda que uma decisão sobre a inclusão de Xangai pode vir a qualquer momento.

 

Ainda sobre a China, o BC do país (PBoC) revisou para baixo a estimativa de crescimento do PIB e da inflação ao consumidor (CPI) neste ano. Agora, a economia deve crescer 7%, e não 7,1%, como estimado antes, ao passo que a alta anual dos preços no varejo deve chegar a 1,4%, de 2,2%.

 

Nos demais mercados asiáticos, Tóquio e Hong Kong caíram. Relatos de que a gripe que atinge a Coreia do Sul teria chegado à região especial da China e declarações do comandante do BC japonês, Haruhiko Kuroda, que de é difícil ver o iene cair mais explicam o comportamento nessas praças. Na Austrália, Sydney teve leve alta. 

 

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