Volta do feriado sob tensão

08.06.2015

 

 

A China abre a semana depois do feriado prolongado em várias partes do mundo com dados fracos sobre a balança comercial, o que adiciona ingredientes na lista de tensão dos mercados internacionais, que ainda monitoram a Grécia e ecoam os números robustos da sexta-feira passada sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. Como consequência, os investidores no exterior estão menos propensos ao risco nesta manhã.

 

Contudo, a Bolsa de Xangai saltou 2,17% hoje, no maior nível desde janeiro de 2008, em meio às expectativas de mais estímulos vindos de Pequim, uma vez que as exportações chinesas caíram pelo terceiro mês seguido em maio e as importações tiveram a maior queda em três meses. Nos números, as vendas externas caíram 2,5%, na comparação anual, ao passo que as compras feitas pelo mundo tombaram 17,6%, gerando um superávit de US$ 59,49 bilhões.

 

Mas a grande expectativa em Xangai está reservada para quarta-feira, quando o MSCI pode anunciar a entrada do índice acionário chinês na carteira referencial de mercados emergentes da provedora. Se confirmada, trata-se de uma mudança histórica, que tem o potencial de movimentar de bilhões de dólares em ações rumo à China continental.

 

Na Europa, as principais bolsas recuam desde cedo, afetadas pelos dados chineses, sendo que o Dax alemão encosta em níveis gráficos de correção. O índice Stoxx Europe 600 cede pelo quinto dia consecutivo, com as incertezas sobre a continuidade da Grécia na zona do euro também pesando nos negócios.

 

Hoje, os ministros de Finanças grego, Yanis Varoufakis, e alemão, Wolfgang Schauble, retomam as negociações sobre a dívida de Atenas, em Berlim. Na contramão, a Bolsa grega se recupera nesta manhã, após cair forte na semana passada na esteira da decisão do governo grego de "empacotar" todas as dívidas vincendas em junho junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e pagar tudo de uma vez, no fim do mês.

 

Do outro lado do Atlântico Norte, as bolsas de Nova York caíram na sexta-feira, acumulando perdas na semana, e os índices futuros de Wall Street seguem no vermelho hoje. O comportamento ainda está associado ao payroll de maio, que mostrou a maior abertura de emprego nos EUA em cinco meses, de 280 mil vagas, com aumento nos ganhos por hora, tornando mais provável a primeira alta do juro norte-americano desde 2006 neste ano.

 

Já o dólar, que se fortaleceu ao final da semana passada, na esteira dos dados de emprego nos EUA, hoje perde terreno ante os demais rivais. A moeda norte-americana reage a relatos de que o presidente do país, Barack Obama, teria dito, durante encontro do G-7, que um “dólar forte é um problema”. A declaração, porém, foi desmentida oficialmente pela Casa Branca, reforçando que Grécia e Ucrânia dominaram a pauta.

 

Mesmo assim, o Dollar Index caía pouco mais de 0,1%, mais cedo. Entre as moedas emergentes e correlacionadas às commodities, o dólar australiano subia. Já o rendimento (yield) das Treasuries avança, atingindo o maior nível em seis meses (desde novembro) na comparação com os dividendos pagos pelo S&P 500.

 

Na agenda norte-americana, com a alta performance da temporada de balanços já sendo vista pelo retrovisor e a reunião de política monetária do Federal Reserve ainda a mais de uma semana de distância, o foco se volta para os indicadores. Os destaques são as vendas no varejo dos EUA em maio, na quinta-feira. Hoje, o calendário está vazio.

 

Ainda no exterior, também chama atenção o tombo da bolsa e da lira turca, após o partido do presidente Recep Tayyip Erdogan perder a maioria absoluta do Parlamento, depois de 13 anos. O BC da Turquia chegou a atuar para conter a queda da moeda local.

 

No Brasil, o ajuste fiscal volta à pauta do Congresso, com a Câmara devendo votar o projeto de lei que reverte a desoneração da folha de pagamentos a partir da quarta-feira. Um dia antes, na terça-feira, o governo pode anunciar o novo plano de concessões.

 

Ontem, a presidente Dilma Rousseff esteve reunida com ministros da equipe econômica, da área de infraestrutura e da coordenação política para finalizar o pacote de obras de infraestrutura. Hoje, Dilma participa da tradicional reunião de coordenação política, às 9 horas e, às 16h30, recebe o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

 

Em entrevista à imprensa nacional, Dilma saiu em defesa prévia de Levy, e disse que é injusto e errado tratá-lo como “Judas” por causa das medidas impopulares do ajuste fiscal. Na agenda econômica do dia, saem a Pesquisa Focus, do Banco Central (8h30), e os números semanais da balança comercial (15h).

 

Mas o destaque da semana fica com o IPCA do mês passado, na quarta-feira, e também com a ata do Copom, no dia seguinte. Tanto o indicador oficial de preços no Brasil quanto o documento referente à reunião de política monetária do BC na semana passada podem dar pistas sobre a extensão e a dose do atual ciclo de aperto dos juros básicos.

 

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