Dados e BCs II - A missão


Esta véspera do anúncio de decisão de juros no Brasil e na zona do euro reserva indicadores econômicos, hoje, que não devem alterar a aposta em relação ao rumo da política monetária nessas regiões. Internamente, os números da produção industrial em abril, a serem conhecidos às 9 horas pelo IBGE, devem apresentar queda - de pouco mais de 1% na mediana das projeções ante março e um tombo de quase 8% no confronto anual.

Mas, mesmo com a atividade doméstica já em contração e a recuperação econômica tendo de ser construída “tijolo a tijolo” - conforme palavras do ministro da Fazenda, Joaquim Levy - a imprensa nacional traz, novamente nesta terça-feira, que não há um “teto” para a taxa Selic.

Aliás, o Banco Central teria recebido um aval do governo para subir ainda mais os juros básicos em 2015, deixando todo o trabalho árduo para este ano, a fim de garantir a inflação no centro da meta de 4,5% ao final de 2016. As expectativas são de que, amanhã, o Copom repita a dose de alta de 0,50 ponto porcentual, para 13,75%, mas ainda há espaço para ao menos mais uma alta ao longo dos próximos meses.

A atratividade do diferencial de juros praticado no Brasil ante o observado no restante do mundo tende a manter firme o ingresso de capital externo, principalmente o especulativo. Ontem, essa perspectiva, combinada com a expectativa de retomada de captações externas, corrigiu parte da alta do dólar ante o real e permitiu uma ligeira recuperação da Bovespa.

Ainda entre os países emergentes e com economias relacionadas às commodities, chamam atenção as decisões dos bancos centrais da Índia (RBI) e da Austrália (RBA), anunciados na madrugada.

Enquanto o RBI, comandado pelo ex-FMI Raghuram Rajan, reduziu a taxa em 0,25 ponto porcentual para a 7,25%, e disse que vai esperar para avaliar as chuvas de monções antes de agir novamente; na Austrália, o BC local (RBA) deixou a taxa de juro no nível recorde de baixa, a 2%, mas mostrou-se reticente em relação à necessidade de novos cortes para estimular o crescimento.

Em reação, o dólar australiano, conhecido como “aussie” disparou ante o xará dos EUA, ao passo que a Bolsa de Sydney fechou em baixa de 1,7%. Já a Bolsa da Índia caiu 1,6% e a rupia indiana se enfraqueceu, em meio às preocupações de que o terceiro corte no juro básico não será suficiente para impulsionar a economia.

Na Europa, a inflação voltou à região da moeda única em maio, pela primeira vez em seis meses, afastando o temor de deflação. O índice de preços ao consumidor (CPI) na zona do euro subiu 0,3% em relação a um ano antes, mais que a previsão de alta de 0,2%. O núcleo do CPI avançou 0,9%, na mesma base de comparação, no ritmo mais acelerado em nove meses.

A abertura do dado mostra que o comportamento dos preços está melhorando na Espanha, Itália e Alemanha, sendo que na maior economia da região, o CPI alemão teve o salto mais elevado em oito meses em maio. O aumento reflete os esforços do Banco Central Europeu (BCE) em estimular a economia por meio do seu programa de compra de ativos, iniciado em março, e que deve continuar até setembro do ano que vem.

Outro dado separado mostrou que o desemprego na Alemanha caiu pelo oitavo mês seguido. A taxa de desemprego no país seguiu em 6,4% em maio, no menor nível desde a reunificação. Ainda assim, as principais bolsas europeias recuam nesta manhã, com os investidores monitorando as negociações envolvendo um resgate financeiro da Grécia.

O euro, por sua vez, tenta voltar a marca de US$ 1,10, com os líderes europeus e o Fundo Monetário Internacional (FMI) buscando intensificar os esforços para resolver o impasse grego. Já os juros dos bônus europeus sobem, refletindo queda nos preços, com o bund alemão de 10 anos a 0,61%.

Do outro lado do Atlântico Norte, os negócios continuam sendo guiados pela perspectiva de que o primeiro aumento na taxa de juros dos Estados Unidos será, de fato, neste ano. Com isso, o dólar mantém vigor, ao passo que os futuros dos índices acionários em Wall Street estão no vermelho, penalizados também pelo drama de Atenas.

Na agenda econômica norte-americana do dia, destaque apenas para as encomendas à indústria em abril, às 11 horas. Também serão conhecidas as vendas de veículos nos EUA no mês passado.

No Brasil, a Fipe abriu o dia e anunciou que seu IPC desacelerou para 0,62% em maio, em cima da mediana das expectativas, de 1,10% em abril. Em maio de 2014, o IPC-Fipe havia subido 0,25%. Também são esperado para hoje os indicadores industriais da CNI em abril.

Entre os eventos de relevo, a presidente Dilma Rousseff participa, às 11 horas, do lançamento do plano agrícola e pecuário 2015/2016. À tarde, às 17 horas, ela recebe o presidente da Embraer, Frederico Curado. Já o ministro da Fazenda deslocou-se para Paris, onde participa de reunião na sede da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) - entidade da qual o Brasil não faz parte.

Por fim, na Ásia, a noite reserva dados sobre o setor de serviços na China em maio. As bolsas da região e do Pacífico fecharam em baixa hoje, com a Bolsa de Tóquio devolvendo parte do rali e interrompendo uma sequência de 12 pregões consecutivos de alta. Xangai, porém, foi novamente exceção e subiu 1,7%, estendendo para 52% a valorização no ano.

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