Hoje é dia de PIB

29.05.2015

 

Para quem achava que a agenda foi cheia ontem, prepare-se porque esta sexta-feira promete, com um calendário econômico intenso fechando, de quebra, o mês de maio. O destaque do dia são os dados que serão conhecidos, a partir das 9h da manhã, sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e, apenas 30 minutos depois, dos Estados Unidos.

 

Enquanto a mediana das estimativas para o desempenho da economia brasileira no trimestre passado aponta para um declínio de 0,50% na comparação com os três últimos meses de 2014, e de -1,90% frente a igual período; nos EUA a taxa anualizada deve apontar queda de 0,9% entre janeiro e março de 2015 na segunda leitura do dado, de uma estimativa original de +0,2%.

 

Mas se a revisão para baixo no PIB da maior economia do mundo pode até ser ignorada pelos mercados financeiros hoje, uma vez que o Federal Reserve já alertou que o período foi afetado por “fatores transitórios” e “ruídos estatísticos”, a fraqueza da atividade doméstica pode preocupar. Afinal, se os três primeiros meses do ano no Brasil foram difíceis, o segundo trimestre pode ser ainda pior, com o país adiando a recuperação apenas para o fim do segundo semestre de 2015.

 

Na sequência desses números, o calendário interno reserva ainda, às 10h30, a nota de política fiscal do Banco Central. Mas depois do informe de ontem do governo central, com o superávit primário acumulando até abril o menor valor desde 2001, o resultado consolidado do setor público pode ficar relegado hoje, diante de tantos dados relevantes.

 

Até porque, em meio ao detalhamento dos números fiscais pelo BC, os EUA voltam à cena para informar, às 10h45, o índice dos gerentes de compras de Chicago e, em seguida, às 11 horas, a confiança do consumidor norte-americano. Ambos referem-se ao mês de maio e podem dar pistas sobre a dinâmica do país neste segundo trimestre, rumo ao crescimento e, também, sobre quando ocorrerá o aperto de juros pelo Fed.

 

À espera dos dados norte-americanos, os índices futuros das bolsas de Nova York apontam para mais uma sessão de queda hoje, podendo acumular perdas no mês. Já o juro da T-note de 10 anos estava em 2,13%, ao passo que o dólar testa forças ante as principais moedas rivais, que buscam uma recuperação desde cedo. O petróleo, por sua vez, ensaia alta, diante da suavização do dólar e já na expectativa pela reunião do cartel da commodity (Opep), que acontece na semana que vem.

 

Já os mercados domésticos podem repercutir também as medidas anunciadas ontem à noite pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para estimular o crédito imobiliário. Foram feitas alterações em exigibilidade e composição dos depósitos compulsórios que incidem sobre as captações da poupança, o que vai liberar cerca de R$ 22,5 bilhões para o financiamento habitacional e outros R$ 2,5 bilhões para empréstimos rurais. As mudanças têm validade inicial de dois anos.

 

É válido lembrar que desde que a poupança passou a perder recursos, foi aventada a possibilidade de mudar as alíquotas de compulsório para liberar recursos para o financiamento imobiliário. A medida enfrentava resistência no BC. Além disso, houve uma mudança no modelo de emissão para as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e para as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) visando “equalizar a atratividade desses instrumentos”.

 

No exterior, enquanto aguardam os indicadores econômicos norte-americanos do dia, os mercados internacionais seguem vivendo o drama grego.

 

As principais bolsas europeias exibem perdas nesta manhã, ao passo que o euro é cotado a US$ 1,10, em meio às preocupações de que a Grécia não alcançará um acordo com seus credores em tempo para pagar 1,5 bilhão de euros neste mês em empréstimos feitos junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Ontem, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, disse a um jornal alemão que a saída da Grécia da zona do euro é uma possibilidade, mas ela ponderou que o chamado “Grexit” não se traduz no fim da moeda única.

 

O país mediterrâneo pediu para que uma solução seja encontrada até este domingo, uma vez que a primeira parcela vence no próximo dia 5 de junho. Mais cedo, a Bolsa de Atenas caía 1,5%, na pior performance entre os pares da região, mas ainda assim caminhando para registrar o melhor mês do ano desde fevereiro.

 

Um “turbilhão” de leituras do PIB de países da Europa no primeiro trimestre do ano foram conhecidos nesta manhã. Entre os destaques, o PIB sueco cresceu menos que o esperado na comparação trimestral, em +0,4% ante previsão de +0,6%. A Suíça teve um desempenho particularmente monótono, com uma leitura de -0,2% contra expectativa de zero. Já a Itália conseguiu crescer pela primeira vez em seis trimestres, ganhando 0,3%.

 

Ainda na agenda econômica europeia, as vendas no varejo alemão cresceram mais que o esperado em abril, em +1,7% em dados sazonalmente ajustados ante março. A previsão era de alta de 1%. Na comparação anual, o avanço foi de 1%.

 

Por fim, na Ásia, os principais mercados da região registraram o primeiro mês negativo no ano, com o índice MSCI da Ásia-Pacífico perdendo 1,1% em maio. As ações na China tiveram a primeira queda semanal nas últimas três semanas, em meio às restrições  nas margens de negociação. Hoje, Xangai caiu 0,18% e Hong Kong perdeu 0,11%, enquanto Sydney avançou 1,1% e Tóquio subiu 0,06% - estendo o mais longo rali do Nikkei desde 1998.

 

 

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