MP aprovada, em dia de melhora externa

27.05.2015

 

A primeira Medida Provisória (MP) do ajuste fiscal passou pelo Congresso. A MP 665, que restringe o acesso a benefícios trabalhistas, foi aprovada ontem à noite no Senado, por um placar apertado, com 39 votos a favor e 32 contra. O texto, agora, segue para sanção da presidente, Dilma Rousseff.

 

Os mercados domésticos podem respirar aliviados hoje com essa vitória do governo, após o nervosismo da véspera fortalecer o dólar até a marca de R$ 3,15 e derrubar a Bovespa para o nível dos 53 mil pontos, em meio às incertezas quanto à aprovação da medida. A recuperação ensaiada pelos mercados internacionais nesta manhã tende a ajudar nesse sentido, mas ainda é preciso que os senadores aprovem outras duas MPs do pacote de reequilíbrio das contas públicas para acalmar de vez os negócios locais.

 

Ontem, a Casa até que começou a discussão sobre a MP 664, que torna mais rígido o pagamento da pensão por morte e do auxílio-doença, mas a votação ficou marcada para as 14 horas desta quarta-feira. Além disso, a MP 668, que aumenta tributos sobre importações, só deve ser votada no Senado amanhã - dia em que o quórum costuma ser mais baixo. Depois, em junho, entra na pauta do Legislativo o projeto de lei que revê o programa de desoneração da folha de pagamento das empresas.

 

Com as medidas trabalhistas e previdenciária, combinadas com as concessões feitas pelo Executivo para vencer as resistências no Congresso, o governo espera reduzir os gastos com esses benefícios em R$ 5 bilhões neste ano. Já a MP dos importados deve gerar um aumento anual de R$ 700 milhões na arrecadação.

 

De olho no Senado, os investidores recebem ainda os indicadores econômicos do dia, com destaque para a nota do Banco Central sobre as operações de crédito em abril, às 10h30, e também para os números semanais do fluxo cambial que a autoridade monetária anuncia às 12h30. Logo cedo, às 8 horas, sai a sondagem da indústria neste mês.

 

Entre os eventos de relevo, Dilma segue no México, de onde desembarca de volta para Brasília na tarde de hoje. A chegada está prevista apenas para a meia-noite. Já os diretores do BC, Tony Volpon e Luiz Awazu, se deslocam hoje para o país latino na América do Norte. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tem reunião, às 8h30, com várias confederações nacionais, como as da agricultura (CNA), do comércio (CNC) e da indústria (CNI), entre outras.

 

No exterior, a agenda está esvaziada, o que abre espaço para uma melhora dos ativos, que sofreram duramente nos últimos dias, sob efeitos das declarações de dirigentes do Federal Reserve. Entre os poucos dados reservados para o dia, destaque para o índice GFK, que mostrou que o sentimento do consumidor alemão deve melhorar em junho. O dado subiu ao maior nível desde outubro de 2001, a 10,2 para o mês que vem, de 10,1 em maio - na contramão da previsão de queda a 10,0.

 

As principais bolsas europeias exibem ganhos moderados nesta manhã, interrompendo três dias consecutivos de queda - na maior sequência de perdas em três semanas. O euro também se recupera, com a moeda única ganhando terreno ante a rival norte-americana pela primeira vez em quatro dias.

 

Porém, a Europa segue apreensiva com a delicada situação da dívida da Grécia. Líderes do governo Syriza voltam a se reunir hoje com credores internacionais, em Bruxelas, à medida que Atenas corre contra o tempo para garantir os recursos necessários e pagar um total de 1,6 bilhão de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em junho. A Bolsa grega subia, mais cedo.

 

Em Wall Street, os índices futuros das bolsas de Nova York também apontam para o terreno positivo. A ausência de dados sobre a economia dos Estados Unidos, hoje, desloca o foco para alguns resultados corporativos previstos para o dia. Mas o calendário norte-americano ganha força a partir de amanhã e reserva ainda uma segunda leitura do PIB do país no trimestre passado, na sexta-feira.

 

Na Ásia, o dia foi de perdas entre as bolsas, ainda em reação ao desempenho de ontem dos mercados internacionais, quando dados dos EUA reforçaram a perspectiva de aperto nos juros do país ainda neste ano. Entre as exceções, a Bolsa de Tóquio teve leve alta, diante da queda do iene para o menor patamar desde julho de 2007 ante o dólar.

 

Mas o destaque na região ficou, mais uma vez, com a China. O índice Xangai Composto subiu pelo sétimo dia consecutivo e flertou com a marca psicológica dos 5 mil pontos pela primeira vez desde 2008. O movimento, é bom lembrar, ocorre às vésperas do lançamento de novas ações no mercado chinês, com a subscrição de 23 ofertas públicas iniciais (IPOs) podendo travar a liquidez em aproximadamente US$ 800 bilhões, a partir do início do mês que vem. 

 

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