Ajuste fiscal e atividade em ritmo lento

21.05.2015

 

Dados de atividade ao redor do mundo pautam os mercados financeiros nesta quinta-feira, mas os negócios no Brasil também devem reagir ao adiamento da votação, no Senado, da Medida Provisória (MP) 665, que dificulta o acesso ao seguro-desemprego e ao abono salarial.

 

Preocupado com uma eventual derrota na Casa, o líder do governo entre os senadores propôs, ontem à noite, que a primeira medida do ajuste fiscal seja votada apenas na semana que vem, a fim de ganhar tempo para costurar a aprovação do projeto. A nova data, dia 26, é bem próxima ao limite do prazo para que a MP seja aprovada, uma vez que o texto tem validade até o dia 1º de junho (segunda-feira). A questão pode ser tema durante café da manhã que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, volta a tomar hoje com senadores.

 

Já a Câmara prevê que o texto sobre a desoneração da folha de pagamentos seja votado apenas no dia 10 de junho. A proposta era de que a medida, que também faz parte do ajuste fiscal, fosse analisada ontem e o adiamento para o mês que vem contraria o plano do governo. Na noite de quarta-feira, os deputados concluíram a votação da MP 668, a terceira do pacote da equipe econômica e que trata da elevação de tributos sobre produtos importados, e o texto, agora, seguirá para o Senado.

 

As MPs 665 e a 664, que restringe o acesso à pensão por morte, fazem parte do pacote para equilibrar as contas públicas e preveem, originalmente, uma economia de R$ 18 bilhões nos cofres do governo. O governo aguarda a tramitação no Congresso dessas MPs que tratam da redução de gastos para, então, fechar o número do contingenciamento. Mas o anúncio deve ser feito ainda nesta semana, apesar dos adiamentos no Legislativo.

 

Além das MPs, crescem as especulações de que o Palácio do Planalto associaria os cortes à alta de impostos. Aliás, o ministro Levy já havia alertado, na reunião do último domingo no Alvorada, que quanto menor o corte, maior a necessidade de complementar o ajuste fiscal via aumento de impostos. 

 

O renovado temor de que entre as possibilidades estaria o fim dos Juros sobre o Capital Próprio (JSCP), conforme ventilado em abril no blog A Bula do Mercado, derrubou a Bovespa ontem para abaixo dos 55 mil pontos, adentrando o índice à vista em uma zona de indefinição, que vai até os 53 mil pontos, e turvando a recente tendência de alta conquistada no mês passado. O dólar, por sua vez, fechou o dia de ontem em queda, ainda na faixa de R$ 3,00.

 

Hoje, os mercados domésticos devem repercutir, juntamente com o noticiário vindo de Brasília, os indicadores econômicos do dia.

 

Internamente, as atenções se voltam para o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de março, às 8h30. O dado, que deveria ser conhecido na semana passada e foi adiado para hoje, poderá ser lido como um parâmetro ainda mais próximo do Produto Interno Bruto (PIB), após a adequação da série do Banco Central à nova metodologia do IBGE.

 

As estimativas para o dado na comparação mensal vão de queda mais intensa a ligeira alta, mas com mediana de -0,50%. Em relação a um ano antes, as previsões vão de recuo a crescimento de até 1,70%, o que gerou uma mediana positiva de 0,60%. Mesmo assim, o acumulado no primeiro trimestre deve apresentar taxas negativas ante o período imediatamente anterior e também frente a igual trimestre de 2014.

 

Na sequência, às 9 horas, o IBGE informa a taxa de desemprego no Brasil em abril, que deve voltar ao patamar de 6%, conforme apontam as projeções. Também deve ser monitorado o encontro de Levy com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, às 15 horas, na sede da Fazenda.

 

Uma hora depois, às 16 horas, ela reúne-se com a presidente Dilma Rousseff. Pela manhã, Dilma participa de cerimônia oficial para a chegada do presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez. Já o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, e o diretor de Política Econômica do BC, Luiz Awazu, participam de um seminário sobre metas de inflação, no Rio.

 

Exterior. A China e a zona do euro já abriram o dia com números sobre a atividade, mas os números não são nada animadores. O índice dos gerentes de compras (PMI) da indústria chinesa, medido pelo HSBC, mostrou melhora e subiu a 49,1 em maio na leitura preliminar, de 48,9 em abril.

 

Apesar da melhora, o dado ficou aquém da previsão de avanço maior, a 49,3, e ainda seguiu abaixo da linha divisória de 50, o que indica ritmo de contração. Assim, o mais recente indicador realça a resposta ainda morna que a dinâmica da atividade está dando aos esforços de Pequim para suavizar os efeitos de uma desaceleração da segunda maior economia do mundo.

 

Em reação, a Bolsa de Xangai subiu 1,86%, em meios às apostas de que o gigante emergente deve adotar novas medidas de estímulo. A Bolsa de Hong Kong teve leve baixa, enquanto a de Tóquio, leve alta. Entre as commodities, o petróleo e o cobre avançam, com a ligeira melhora do dado chinês e diante dessa expectativa de que a  China vai fazer mais para estimular a economia.

 

Já na Europa, as principais bolsas estão no vermelho, enfraquecidas pelo dado que mostrou que a atividade na região expandiu menos que o esperado em maio. O índice PMI composto da zona do euro, que abrange os setores da indústria e de serviços, atingiu o menor nível em três meses, ao cair a 53,4 em maio, de 53,9 em abril, ante previsão de estabilidade.

 

A abertura do dado mostra ainda que a Alemanha decepcionou, com o indicador cedendo a 52,8, de 54,1, no mesmo período, ao passo que o número na França surpreendeu ao subir ao maior nível em um ano, a 49,3. O euro, por sua vez, ganha terreno ante o dólar, reavendo a marca de US$ 1,12, ainda ecoando a ata do Federal Reserve, divulgada ontem, que mostrou que o colegiado não espera aumentar os juros norte-americanos em junho.

 

Fora da região da moeda única, a Bolsa de Londres tenta se apoiar nos ganhos das mineradoras, que se amparam na China, para se descolar das perdas nas demais praças europeias. Ao mesmo tempo, a libra esterlina tem ganhos firmes ante o dólar, na esteira de um crescimento acima do esperado nas vendas do varejo britânico em abril, de +1,2% ante março e de +4,7% em base anual.

 

Do outro lado do Atlântico Norte, os índices futuros das bolsas de Nova York apontam para uma abertura fraca. No calendário econômico dos Estados Unidos, às 9h30, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país. Às 10h45, é a vez da leitura preliminar do mês sobre o índice PMI industrial e, na sequência, às 11 horas, serão conhecidos o índice de atividade na Filadélfia em maio, além das vendas de imóveis existentes e dos indicadores antecedentes - ambos referentes ao mês de abril.

 

Neste horário, na zona do euro, sai a prévia de maio sobre a confiança do consumidor.

 

 

 

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