Mercado espera IPCA e payroll de olho em BCs

08.05.2015

 

 

A divulgação do IPCA, às 9 horas, e do relatório de emprego nos Estados Unidos às 9h30, ambos referentes ao mês abril, concentram as atenções do mercado financeiro nesta sexta-feira. Isso porque, depois que os bancos centrais do Brasil e norte-americano deixaram em aberto os passos a serem tomados nos próximos meses em relação às decisões de política monetária, os investidores seguem ávidos em buscas de pistas.

 

Para o índice oficial de preços no Brasil é esperada uma desaceleração acentuada devido, principalmente, à dissipação dos reajustes dos administrados, com a taxa saindo de 1,32% em março para 0,75% (na mediana) no mês passado. Após o tom mais duro (“hawkish”) na ata do Copom, ontem, o dado pode calibrar as apostas em relação à duração do atual ciclo de alta da taxa Selic.

 

Porém, o documento do encontro do Banco Central em abril não alterou a previsão da maioria dos economistas, de que o fim do aperto monetário será no mês que vem. Há quem projete o juro básico para além de 14%, subindo até setembro, mas se trata de uma minoria.

 

Da mesma forma, o chamado payroll também deve adicionar ingredientes na mistura de indicadores econômicos norte-americanos a fim de aferir o momento exato em que o Federal Reserve subirá a taxa dos Fed Funds pela primeira vez desde 2006. A dúvida é se os investidores irão considerar que uma leitura forte do emprego no país é uma boa notícia porque a economia está indo bem ou se pensam que uma leitura fraca seria uma boa notícia porque as taxas de juros nos EUA permanecerão baixa por mais algum tempo.

 

A previsão é de abertura de 228 mil vagas de emprego nos EUA no mês passado, com a taxa de desemprego caindo a 5,4%, para o menor nível desde maio de 2008. Se confirmado, a criação de mais de 220 mil postos de trabalho na maior economia do mundo em abril irá também resgatar a média mensal de geração de empregos observada ao longo de 2014, de 260 mil vagas por mês - a melhor performance desde 1999.

 

Ainda na agenda econômica, no Brasil, às 8 horas, tem o IPC-S semanal e, às 9 horas, saem os custos na construção civil. Entre os eventos, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reúne-se com governadores do Nordeste (10h) e a presidente Dilma Rousseff recebe, mais uma vez, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa (15h). Já nos EUA, às 11 horas, serão conhecidos os estoques no atacado em março.

 

Internamente, também merece destaque a conclusão da votação da Medida Provisória 665, que restringe o acesso ao seguro-desemprego e ao abono salarial, na Câmara dos Deputados, mantendo o texto-base. Agora, a apreciação da matéria será encaminhada ao Senado, que precisa votar o texto até 1º de junho para a MP não perder a validade.

 

Reino Unido e China. Enquanto aguardam a divulgação de indicadores econômicos de peso, que tendem a agitar os negócios domésticos e também no exterior, os investidores também precisam digerir o noticiário vindo da Ásia e da Europa nesta manhã.

 

O destaque fica com a vitória do Partido Conservador, do primeiro-ministro britânico, David Cameron. O resultado das eleições de ontem no Reino Unido ainda estão sendo apurados, mas as projeções indicam que os conservadores podem conquistar até 350 assentos no Parlamento, do total de 650, o que garante maioria para governar, sem a necessidade de formar um governo de coalizão e permitindo, ainda, encerrar o atual acordo com os liberais democratas.

 

E uma vitória majoritária do Partido Conservador não estava precificada. Em reação, a Bolsa de Londres sobe quase 2%, com um ritmo mais intenso que nas demais bolsas europeias, mas que também têm firme avanço, pegando carona na City londrina. As ações de bancos e de empresas ligadas aos serviços públicos são destaques de alta.

 

Entre as moedas, a libra esterlina registrou o maior salto ante o euro desde 2009, ao passo que ganha terreno ante o dólar, cravando máxima na sessão a US$ 1,5523. Contudo, os ganhos da moeda britânica são limitados pela perspectiva de um referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia (UE) - o maior parceria comercial britânico.

 

Aliás, o déficit comercial total da Grã-Bretanha cresceu no primeiro trimestre deste ano, sugerindo que a demanda externa mais fraca irá afetar o crescimento econômico do país no período. O déficit comercial de bens e serviços subiu a 7,48 bilhões de libras (US$ 11,6 bilhões), de 5,97 bilhões de libras no quarto trimestre de 2014. Na mesma comparação, as exportações caíram 2,3% e as importações cederam 1,1%.

 

Já na Ásia, a China voltou a decepcionar. A segunda maior economia do mundo registrou um superávit comercial de 210,21 bilhões de yuans (US$ 33,9 bilhões) em abril, menor que a previsão de saldo positivo de US$ 42,98 bilhões.

 

O resultado mais fraco foi obtido diante da inesperada queda de 6,2% nas exportações no mês passado, em base anual e em valores de yuan, e do tombo de 16,1% nas importações - o quarto mês consecutivo de recuo de dois dígitos nas compras chinesas feitas no exterior. Além disso, o volume total das transações comerciais realizadas caiu 10,9%, em base anual.

 

Os números adicionam pressão sobre a dinâmica da economia do gigante emergente, em meio ao excesso de capacidade e da diminuição da competitividade, e elevam as expectativas por mais estímulos a serem adotados pelo Banco Central chinês (PBoC), a fim de conter a desaceleração. O Centro de Informações do Estado, um dos “think tank” do governo chinês, prevê expansão de 6,8% do PIB chinês entre abril e junho de 2015.

 

Com isso, a Bolsa de Xangai subiu hoje (+2,28%), interrompendo três dias seguidos de queda, período em que acumulou perdas de 8,2%. As bolsas de Hong Kong (+1,05%) e de Tóquio (+0,45%), também subiram, enquanto, entre as moedas, o dólar australiano perdeu força. À noite, a China volta à cena para informar os índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) em abril.

 

 

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