Feriado de protestos, discursos e dados

02.05.2015

 

 

Esta sexta-feira com cara de domingo, pelo mundo, foi de ganhos em Wall Street. Enquanto muitos países celebravam o Dia do Trabalho com manifestações pacíficas em alguns lugares, e protestos violentos em outros, as bolsas de Nova York se recuperavam das perdas da véspera.

 

Poém, os ganhos ao redor de 1% para o S&P 500 e o Dow Jones neste primeiro pregão de maio não foram suficientes para reverter as perdas acumuladas na semana, de -0,4% e -0,3%, na mesma ordem. O avanço do dia foi limitado, mais uma vez, por uma rodada mista de dados econômicos norte-americanos, realimentando as incertezas em relação ao Federal Reserve.

 

Do lado da atividade, a leitura final do índice Markit sobre as condições da indústria nos Estados Unidos em abril ficou em 54,1, de 54,2 no dado preliminar do mês. O índice ISM industrial, por sua vez, seguiu em 51,5, na mínima em quase dois anos.

 

Separadamente, relatórios mostraram que as vendas de carros novos em abril no país cresceram 5,4%, a uma taxa anual ajustada sazonalmente de 16,5 milhões de veículos. Já do lado do consumo, o sentimento do consumidor norte-americano subiu ao segundo maior nível desde 2007, a 95,9 em abril, acima de 93 em março e repetindo o dado preliminar, calculado pela Universidade de Michigan.

 

Esse último dado intensificou o avanço do juro da T-note de 10 anos, que tocou a taxa de 2,12%, na sessão, no maior nível desde 13 de março, e acabou encerrando perto disso, a 2,119%, na máxima desde 10 de março. Na semana, os juros desses títulos subiram 20 pontos-base, no maior avanço desde o período encerrado em 6 de março.

 

Os rendimentos das Treasuries, que se movem inversamente aos preços, registraram aumento por cinco dias seguidos, na maior sequência desde 10 de fevereiro. Enquanto isso, o ouro fechou na mínima em seis semanas (desde 19 de março), recuando pela terceira semana consecutiva.

 

O comportamento desses mercados reflete a possibilidade deixada em aberto pelo Federal  Reserve, que tratou de explicar que os indicadores econômicos mais fracos nos EUA se referem a “fatores transitórios”, incluindo o inverno rigoroso, e que o crescimento da maior economia do mundo vai funcionar a um “ritmo moderado”.

 

Já a segunda maior economia do mundo, a China, voltou a mostrar fraqueza. A leitura oficial do índice de atividade dos gerentes de compras (PMI) da indústria repetiu o número de março e ficou em 50,1 em abril. Ainda assim, o dado segue acima da linha divisória de 50 pelo segundo mês seguido, vindo de 49,9 em fevereiro.

 

A abertura do dado deu sinais encorajadores. O subíndice de produção atingiu o maior nível desde novembro, a 52,6, ao passo que o subíndice para preços de compra de matérias-primas seguiu em ascensão registrada desde janeiro, quando estava em 41,9, e foi a 47,8.

 

Contudo, a demanda doméstica e global na China segue fraca. O índice PMI do setor de serviços chinês recuou a 53,4 em abril, desacelerando-se ante leituras de 53,7 em março e 53,9 em fevereiro.

 

Os números falharam em apontar a melhora que, geralmente, é apresentada pela atividade chinesa em abril, quando já são absorvidos os efeitos sazonais de início de ano, sob a influência do Ano Novo Chinês. Ao mesmo tempo, os dados indicam que os setores, sobretudo a indústria, ainda enfrentam grande pressão de baixa, e que são necessárias medidas de apoio à economia - incluindo estímulos fiscal e monetário.

 

As bolsas de Xangai e de Hong Kong não funcionaram hoje. Entre os mercados que abriram na região Ásia-Pacífico, Tóquio, no Japão, subiu 0,1%, registrando a maior queda semanal desde dezembro, de -2,4%; na Austrália, a Bolsa de Sydney subiu 0,4%, impulsionada pelos ganhos das mineradoras, que subiram na esteira das declarações da rival brasileira Vale, de que poderia abrandar a produção diante do excesso de oferta global de minério de ferro. BHP Billiton e Rio Tinto subiram ao redor de 2%, cada.

 

Aqui no Brasil, entretanto, as atenções se deslocaram das mesas de operações para as ruas, onde vozes foram novamente ouvidas. Desta vez, porém, não houve panelaço.

 

Em regiões importantes da cidade de São Paulo, lideranças políticas se reuniram discursando contra e a favor do projeto de terceirização da atividade no mercado de trabalho brasileiro. O tema acabou roubando a cena neste 1º de Maio.

 

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recomendou cautela à presidente Dilma Rousseff ao tratar do debate sobre o assunto. Já o presidente do Senado, Renan Calheiros (PDMB-AL), afirmou que nenhuma medida que prejudique o trabalhador será aprovada no Congresso.

 

A presidente Dilma Rousseff optou por divulgar três pronunciamentos somente pela internet e a regulamentação do trabalho terceirizado foi assunto do segundo vídeo, no qual ela frisou que é preciso “manter a diferenciação entre atividades-fim e meio”. No primeiro vídeo, Dilma falou sobre a política de valorização do salário mínimo e, no terceiro, condenou a repressão às manifestações e pregou o diálogo com a sociedade.

 

Padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu aos trabalhadores, durante discurso em evento da CUT, que tenham paciência com Dilma, como se tem com a própria mãe, porque ela vai fazer o Brasil voltar a crescer. “Não tenho dúvida que daqui a quatro anos estaremos comemorando o êxito do seu mandato.”

 

 

 

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