Par ou ímpar?

30.04.2015

 

 

Os meses pares foram mais favoráveis à Bovespa do que os ímpares. Neste último pregão de abril, a Bolsa brasileira iniciou pressionada pelo prejuízo de quase R$ 10 bilhões da Vale nos três primeiros meses deste ano, mas o impacto da notícia na renda variável doméstica não deve comprometer os ganhos de pouco mais de 8% acumulados neste mês.

 

Por volta das 11 horas desta quinta-feira, o Ibovespa subia 0,55%, após uma abertura em baixa. A recuperação se dá diante da melhora na performance das ações da Vale, que chegaram a cair quase 3% no início da sessão, mas agora recuam ao redor de 1%. Os papéis da Petrobras avançam em torno de 2%.

 

A questão é que o principal índice acionário do mercado à vista vem alternando altos e baixos neste primeiro quadrimestre de 2015. Depois de iniciar o ano com o pé atrás, caindo mais de 6% apenas em janeiro, o Ibovespa teve uma recuperação firme em fevereiro, subindo quase 10% no mês mais curto do ano - na primeira performance mensal positiva desde novembro de 2014.

 

Em março, porém, o Ibovespa titubeou e encerrou com ligeira queda de 0,84%. Mesmo assim, o índice garantiu o melhor trimestre desde o segundo período de 2014, com leve alta de 2,29%. Porém, em dólar, a desvalorização do Ibovespa entre janeiro e março de 2015 passava de 15%, sendo superada apenas pelas perdas acumuladas nas bolsas da Grécia e do Peru.

 

Assim, os investidores estrangeiros foram às compras em abril, intensificando um movimento inicial observado no mês anterior. Em março, o fluxo de capital externo para ações brasileiras foi negativo em apenas seis pregões, ao passo que neste mês, até o dia 27, no dado mais recente, ainda não houve registro de saída de recursos.

 

Dessa forma, o superávit de aportes dos “gringos” na Bolsa brasileira soma R$ 7,1 bilhões em abril, até a mesma data, chegando a quase R$ 17 bilhões no acumulado do ano.

 

Porém, conforme já relatado em outros textos no blog A Bula do Mercado, por mais que o objetivo de curto prazo tenha sido atingido, com o Ibovespa encostando nos 57 mil pontos na máxima intraday do ano, a tendência para a Bolsa ainda é baixa, no médio e longo prazos.

 

Para entrar em um canal consistente de trajetória ascendente é preciso, primeiro, reaver os 56 mil pontos e, depois, superar a forte resistência que se encontra nos 57,3 mil pontos - nível ainda não testando neste ano. Só assim, é que o Ibovespa poderia suplantar o “limbo” dos 50 mil pontos e seguir em direção à casa dos 60 mil pontos.

 

Dólar X BCs. Entretanto, seguindo a lógica do par ou ímpar - e ecoando o velho jargão em Wall Street “sell in may and go away” (venda em maio e vá embora), rumo às férias (no Hemisfério Norte) - o mês de maio pode ser de realização para a Bovespa. Salvo uma continuidade da correção de um câmbio em alta, mas que agora já está abaixo de R$ 3,00.

 

Nesse jogo do dólar ante o real, porém, estão em disputa o diferencial de juros praticado no Brasil em relação ao restante do mundo, que atrai capital especulativo com o país sendo o maior pagador de juro real do mundo, e o iminente início do ciclo de aperto das taxas nos Estados Unidos, que inibe o apetite por risco. Nesse cabo de guerra, entram ainda os estímulos monetários já adotados pelos bancos centrais da zona do euro e do Japão, bem como as expectativas por um “QE chinês”.

 

Sobre esse último quesito, porém, as chances por um programa de afrouxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês) na China não parecem ser tão grandes quanto se especula no mercado financeiro. Afinal, o Banco Central chinês (PBoC) indica estar mais propenso a inovar, ao invés de repetir o que já foi feito por outros grandes BCs do mundo.

 

A ideia do presidente da autoridade monetária, Zhou Xiaochuan, há mais de 10 anos no posto, é ter o tipo de poder que talvez Janet Yellen nunca tenha à frente do Federal Reserve. Ao invés de empoçar todo o “jardim”, jorrando liquidez de recursos pela torneira, o PBoC mira alvos específicos “do quintal”. As últimas invenções incluem planos para reforçar o mercado de títulos do governo local e a recapitalização de bancos, a fim de impulsionar os projetos prioritários de Pequim, no âmbito das reformas estruturais.

 

Nesse sentido, o sofrimento das mineradoras em meio à queda nos preços do minério de ferro, no mercado à vista chinês, pode estar perto do fim, já que entre as prioridades está o aprimoramento industrial, melhorando as condições de vida nas áreas densamente povoadas. Com o objetivo de garantir um crescimento saudável, em meio à perda de tração da atividade, a China precisa orientar o fluxo de dinheiro para a economia real, via uma política fiscal proativa e uma política monetária prudente.

 

Após encontro neste dia 30, os líderes do Partido Comunista, sob o comando do presidente Xi Jinping, concordaram também em aumentar os esforços para explorar o potencial de consumo do mercado doméstico chinês, fomentando novos pontos de crescimento. Entre as opções, estaria cortar impostos sobre uma série de bens de consumo importados, talvez até antes do fim de junho - mês par.

 

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