Força de trabalho: um paralelo entre Brasil e China


O enfraquecimento do mercado de trabalho vem se tornando cada vez mais evidente, em meio aos desafios do crescimento econômico.

Esse lead poderia ser de uma notícia sobre o Brasil, após o desemprego em março nas seis principais regiões metropolitanas atingir o maior nível desde maio de 2011. Mas também retrata um cenário muito atual na China.

Jim O’Neil já explicava, no início dos anos 2000, porque associava, no mesmo bloco, Brasil, Rússia, Índia e China. Sob a tutela do polêmico conceito BRIC - que depois ganhou um “S”, com a adesão da África do Sul, A Bula do Mercado faz um recorte a partir da ótica do emprego nas maiores economias emergentes do Oriente e do Ocidente.

O dado divulgado nesta terça-feira pelo IBGE mostrou que a taxa de desemprego nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre passou de 5,9% em fevereiro para 6,2% no mês passado. O movimento, explicam os especialistas, é decorrente do aumento da população economicamente ativa (PEA), +0,1% no período, enquanto a população ocupada (PO) recuou 0,1% entre fevereiro e março.

Mas o grande destaque da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) foi a perda de força dos ganhos salariais, com o rendimento médio real apresentando quedas de 2,8% em base mensal e de 3,0% na comparação anual. Ou seja, a moderação nas condições de oferta e demanda no mercado de trabalho já se traduz tanto em queda de ocupação quanto em desaceleração do rendimento.

Tal conjuntura reforça a expectativa de retração do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano e pode ter pesado na decisão da presidente Dilma Rousseff em não fazer o tradicional pronunciamento em cadeia de rádio e TV neste 1º de Maio. Mas, ao invés de mostrar o que isso tende a representar no campo da inflação doméstica - que tende a arrefecer, sobretudo com uma menor pressão nos preços dos serviços - é interessante fazer um paralelo com o que ocorre com a mão de obra chinesa.

Ciente das denúncias de abuso e maus-tratos em fábricas no país asiático, a intenção de Pequim é de construir uma força de trabalho de alta qualidade. Porém, o ritmo mais lento de expansão, com o PIB chinês no primeiro trimestre deste ano sendo o mais fraco desde igual período de 2009, também leva a um crescimento menor do emprego nas áreas urbanas.

De janeiro a março de 2015, a população urbana e empregada na China cresceu em 3,24 milhões, 200 mil a menos que o verificado um ano antes. Ao final de março, a taxa de desemprego na região urbana do país ficou em 4,05%, de 4,09% no ano de 2014 como um todo e de 4,08% no primeiro trimestre do ano passado. A meta é criar 10 milhões de empregos nas áreas urbanas neste ano.

Enquanto o foco no Brasil é o controle da alta dos preços, via a compressão dos salários, a China está incentivando o empreendedorismo e a inovação, oferecendo políticas preferenciais para microempresas e start-ups, a fim de aprimorar a vitalidade do mercado. Para o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, respeitar o trabalhador e promover o empreendedorismo vai ajudar a melhorar o crescimento econômico.

Além disso, os altos salários de executivos de empresas estatais (SOE, na sigla em inglês) foram cortados no início de 2015 para “níveis razoáveis”, disse na última sexta-feira o porta-voz do Ministério da China de Recursos Humanos e Seguridade Social (MOHRSS, na sigla em inglês), Li Zhong. Tal medida, segundo comunicado de autoridades centrais chinesas, ainda do ano passado, visa manter em níveis adequados as diferenças de rendimento entre os executivos e outros empregados e salários entre diferentes indústrias.

Ainda nos anos 1930, o economista britânico John Maynard Keynes, já explicara, em sua teoria geral do emprego, do juro e da moeda, que o nível de emprego é determinado pelos gastos em dinheiro (demanda agregada). Para ele, medidas para reduzir os preços pelo corte de salários não são apenas insensíveis, mas também ineficazes.

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