Mercado entre governo e balanços, antes do Fed

28.04.2015

 

 

Em meio às tentativas do governo federal de impor um agenda positiva, por meio do pacote de R$ 150 bilhões em concessões à iniciativa privada, que será lançado em breve, as manchetes dos jornais impressos tradicionais desta terça-feira trazem como destaque a redução do limite para financiar imóvel usado no país pela Caixa, e também chamam a atenção, nos portais na internet, para a decisão da presidente Dilma Rousseff em não fazer o pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV no Dia do Trabalho, manifestando-se, apenas, pelas redes sociais.

 

Ontem, os mercados domésticos apararam as arestas, com a Bovespa realizando lucros, mas o dólar seguindo em queda pelo quinto dia consecutivo, em meio ao fluxo de capital estrangeiro. Ainda assim, a inflação resistente em alta e as contínuas negociações sobre o ajuste fiscal, no Congresso, mantêm as apostas de mais 0,50 ponto porcentual na taxa Selic, amanhã.

 

Na agenda interna do dia, destaque para a taxa de desemprego no país em março. O dado será divulgado às 9 horas, pelo IBGE, e deve reaver o patamar de 6%, indo um pouco além desse nível, depois de ter ficado em 5,9% em fevereiro, no lugar mais alto para o mês desde 2011. Antes, às 8 horas, saem a sondagem do comércio em abril e o IPC-S semanal.

 

Entre os eventos de relevo, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reúne-se com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), às 11 horas e, às 11h45, participa de uma conferência do JPMorgan, em Brasília, sobre as perspectivas para a economia brasileira. Além disso, começa hoje a reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom).

 

No âmbito corporativo local, a Petrobras recebeu um alento da Moody’s, que reafirmou ontem à noite todos os ratings da estatal petrolífera. A ação da agência de classificação de risco conclui a revisão da nota e a decisão reflete a publicação do balanço auditado, na semana passada.  A perspectiva é estável.

 

Exterior. Na esfera internacional, o mote para os negócios do dia é o noticiário corporativo, neste primeiro dia de reunião do Federal Reserve, o que embute maior cautela. Desde a Ásia, passando pela Europa e chegando em Nova York, é a atual safra de balanços que dá o tom dos mercados externos. Mas o destaque é a Apple.

 

A gigante norte-americana de tecnologia registrou um aumento de 33% no lucro trimestral do segundo trimestre fiscal, encerrado em 28 de março, para US$ 13,57 bilhões, de US$ 10,22 bilhões um ano antes. Os ganhos por ação subiram para US$ 2,33 e a receita da empresa subiu 27%, a US$ 58,01 bilhões, de US$ 45,65 bilhões em igual período do ano passado.

 

As previsões eram de ganho de US$ 2,16 por ação e receita de US$ 56,1 bilhões. Em reação, as ações da Apple subiram quase 2% no after hours em Nova York, depois de já terem subindo quase o mesmo tanto na sessão regular, antes da divulgação do balanço.

 

A Apple também aumentou seu dividendo em 11% e elevou o programa de recompra de ações em US$ 50 bilhões, para US$ 140 bilhões, comprometendo-se em devolver US$ 200 bilhões aos acionistas através das recompras de ações e seus dividendos até março de 2017. A promessa era de US$ 130 bilhões até o fim deste ano.

 

Porém, os índices futuros em Wall Street estão no vermelho nesta manhã, acompanhando o sinal negativo observado nas praças europeias, e já na expectativa pela decisão do Fed, amanhã. Hoje, a temporada de balanços nos Estados Unidos traz os números trimestrais da Ford e da Pfizer, entre outros. Entre os indicadores, tem apenas o índice de confiança do consumidor norte-americano em abril, medido pelo Conference Board, às 11 horas.

 

Já no Velho Continente, o Commerzbank lidera as perdas, com queda de mais de 4%, em meio aos esforços do banco alemão em levantar 4,1 bilhões de euros por meio da venda de ações. Também reagindo aos balanços, Orange caía, mais cedo, enquanto Daimler e BP subiam.

 

Fora da zona do euro, o crescimento do Reino Unido no início deste ano no ritmo mais fraco desde o quarto trimestre de 2012 adiciona ingredientes para o debate político, com as eleições britânicas marcadas para o dia 7 do mês que vem. As pesquisas de opinião seguem indicando que nem os Conservadores nem o Partido Trabalhista terá maioria no Parlamento e o dado de hoje pode dificultar a retórica do primeiro-ministro, David Cameron, de que o Partido Conservador é o melhor para conduzir a recuperação do país.

 

Em reação à expansão de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido no trimestre passado, abaixo da previsão de alta de 0,5% e apenas a metade da taxa apurada no último trimestre de 2014, a libra esterlina afundou ante o dólar e a Bolsa de Londres intensificou as perdas. O euro, por sua vez, está estável na faixa de US$ 1,09.

 

Do outro lado do mundo, a Bolsa de Xangai conduziu as perdas na maioria das praças da região Ásia-Pacífico. O movimento foi conduzido pelas ações ligadas às commodities e do setor de tecnologia, em meio à decepção com resultados corporativos.

 

Além disso, o órgão regulador do mercado mobiliário chinês (CSRC, na sigla em inglês) fez o segundo alerta em três dias, sobre o risco de perdas de investimento em ações, à medida que a abertura de novas contas por pequenos investidores na China está explodindo, em um país onde a população supera 1,3 bilhão.

 

 

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