A farra do dinheiro fácil

24.04.2015

 

 

Os investidores continuam tirando proveito do excesso de oferta global de dinheiro, diante dos estímulos monetários já adotados na Europa e no Japão e das apostas de que a China vai abrir ainda mais a torneira, jorrando recursos pelo mundo. Essa quantidade de volume circulando é o que reconduz a Bovespa hoje aos níveis mais altos em seis meses (desde outubro de 2014), renovando a máxima do ano, já nos 56 mil pontos. Em meio ao contínuo apetite dos “gringos”, o dólar se afasta ainda mais dos R$ 3, caindo pelo quarto dia seguido.

 

Mas não é só no Brasil que ocorra essa “farra do boi”. A sexta-feira chega ao fim com os mercados emergentes registrando a quarta semana consecutiva de ganhos, na sequência mais longa de valorização desde janeiro. 

 

Enquanto aqui no país o Ibovespa vai se aproximando cada vez mais do chamado mercado de alta (“bull market”), diante da melhora do cenário após o balanço da Petrobras, na África do Sul, por exemplo, o principal índice acionário renovou a máxima histórica pela sétima vez apenas neste mês de abril. Já em Taiwan, fora da China Continental, o preços das ações foi ao maior nível em 15 anos.

 

O índice de mercados emergentes como um todo subia nesta sexta-feira em Nova York, ampliando a alta em cinco dias para quase 2%. Nas últimas quatro semanas, o MSCI saltou 11%, sendo negociado com a relação preço/lucro no maior patamar desde janeiro de 2010. Entre as moedas, o ministro de Finanças da Rússia já alertou que o rublo russo está subindo excessivamente, depois do tombo recente ante o dólar.

 

O fato é que as ações dos mercados emergentes, foram impulsionadas, entre outros fatores, pelo otimismo de que a China vai acelerar os estímulos para reanimar uma economia que cresce no ritmo mais lento desde 2009. Hoje, porém, a Bolsa de Xangai caiu da máxima em sete anos, mas ainda assim subiu pela sétima semana consecutiva.

 

Até quando?. Diante dessa esticada nos preços dos ativos de maior risco, com a virada para o segundo trimestre, a pergunta que fica é: quanto mais dá para puxar, sem arrebentar? Até porque os indicadores das maiores economias neste início de abril ecoam a fraqueza da atividade global nos três primeiros meses do ano.

 

Para o estrategista de um banco de investimentos, que falou ao blog A Bula do Mercado, a “liquidez farta é um negócio pré-crise” e o que pode acontecer - em um horizonte à frente, quando todo esse dinheiro for revertido - “é uma nova estagnação”. O especialista acrescenta que essa “bolha” vai ser criada até o Federal Reserve iniciar o aperto monetário.

 

“O gatilho para uma correção nos mercados é quando os juros nos Estados Unidos começarem a subir”, afirmou, lembrando que o Fed tem a missão de “enxugar” seu balanço dos atuais US$ 3 trilhões para cerca de US$ 1 trilhão. “E aí vai embora todo esse excesso de dinheiro nos mercados”, completa.

 

Mas mesmo depois que o Banco Central norte-americano tirou a expressão “paciente” do comunicado, os investidores descartaram a chance de o processo de normalização das taxas dos Fed Fuds começar em junho. Agora, fala-se em setembro, dezembro, quiçá 2016.

 

Uma vez que será o timing e a velocidade da alta dos juros nos EUA que irá determinar como os investidores vão pegar de volta todo esse dinheiro que vem sendo alocado nos mercados emergentes, as atenções se voltam para o encontro do Fed na semana que vem. Aliás, a reunião termina no mesmo dia em que também se encerra o encontro do Copom.

 

No mercado doméstico de juros futuros, os players têm mantido a aposta de aperto de 0,50 ponto porcentual no juro básico neste mês, apoiado-se na postura firme do BC brasileiro, que não tem se mostrado complacente e segue batendo na tecla de que vem trabalhando para a convergência da inflação ao centro da meta, de 4,5%, em 2016.

 

Ontem, mesmo com a melhora da percepção do cenário local, os estrangeiros zeraram posição vendida em taxa (aposta na queda) em quase 190 mil contratos, principalmente nos vencimentos mais curtos, até julho deste ano. O movimento representa que as apostas em uma alta menor da taxa Selic foram desfeitas.

 

 

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