O dia seguinte ao balanço

23.04.2015

 

 

A Petrobras desatou o nó. Ao revelar ontem à noite o peso da corrupção na primeira divulgação de resultados auditados desde agosto, a estatal petrolífera abre o caminho para um acesso renovado aos mercados financeiros. Para governo, o balanço auditado da Petrobras traz "alívio" e “vira a página” deste episódio traumático. 

 

O custo envolvendo os escândalos no âmbito da Lava Jato somou R$ 6,2 bilhões (US$ 2,1 bilhões), após cinco meses de debate interno que interrompeu o acesso da empresa ao mercado de bônus e resultou na demissão da ex-presidente Graça Foster, desestabilizando ainda a política do país.

 

A maior perda da Petrobras foi registrada após a revisão no valor de ativos, gerando um prejuízo de outros R$ 44,636 bilhões. Com isso, a companhia registrou perda de R$ 21,587 bilhões em 2014, o primeiro resultado negativo anual desde 1991. No terceiro e quarto trimestres do ano passado, as perdas foram de R$ 5,3 bilhões e de R$ 26,6 bilhões, respectivamente.

 

A Petrobras, portanto, não vai pagar dividendos aos acionistas. Ainda assim, as ações da mais endividada empresa de petróleo no mundo subiram ontem no after hours em Nova York  (+1,38%), com uma das nuvens mais negras que pairavam sobre a companhia, e o Brasil, sendo dissipada. Nesta manhã, em Frankfurt, os bônus da companhia denominados em euro e com vencimento em 2025 avançavam pouco mais de 1%.

 

A estatal realiza teleconferência nesta manhã, às 11 horas, o que pode definir o comportamento da ação da empresa hoje na Bolsa brasileira.

 

A presidente Dilma Rousseff, por sua vez, aproveita que a Petrobras está no centro das atenções globais, e reúne-se, no mesmo horário da teleconferência, com o presidente mundial da Shell, Ben van Beurden. A empresa anglo-holandesa é bom lembrar, uniu-se à britânica BG no início do mês, no maior acordo em uma década no setor petrolífero, de quase US$ 70 bilhões, criando a segunda maior empresa da área, atrás apenas da norte-americana ExxonMobil.

 

Exterior. O mercado mais agitado no exterior hoje é o de bônus soberanos, com o juro das Treasuries caindo a 1,96% em meio à busca por ativos seguros, após sinais de desaceleração da atividade na China e na zona do euro. Nas bolsas, as praças asiáticas tiveram desempenho misto, sendo que Xangai renovou a máxima desde 2008, enquanto na Europa prevalece o sinal negativo.

 

Esse movimento no exterior ocorre porque a indústria chinesa caiu ao menor nível em um ano, na leitura preliminar de abril calculada pelo HSBC, a 49,2. O número mostra que a atividade no país iniciou o segundo trimestre perdendo ainda mais tração, após o dado já fraco de março, a 49,6, e que contrariou a previsão de estabilidade neste mês.

 

Entre as commodities, o petróleo recua. Já na região da moeda única, a história se repete. O índice composto dos gerentes de compras (PMI) perdeu força neste mês, sinalizando que vai levar certo tempo para que os efeitos do programa de relaxamento quantitativo (QE) do Banco Central Europeu (BCE) impulsionem a atividade, seja na indústria ou nos serviços.

 

O índice caiu a 53,5 em abril, de 54,0 em março, na contramão da previsão de avanço, a 54,4. A abertura do dado mostra que a atividade enfraqueceu nas duas maiores economias da zona do euro - Alemanha, que foi à mínima em dois meses, e França -, mas ganhou fôlego em outros países da região, onde o ritmo de expansão foi o mais rápido desde agosto de 2007.

 

O euro também recua nesta manhã.

 

Fora da região da moeda única, a Bolsa de Londres tenta se desvencilhar da frágil performance das mineradoras, que sofrem com os dados chineses. Em Nova York, os índices futuros caem, antes de informes sobre auxílio-desemprego (9h30) e indústria (10h45). Na safra de balanços norte-americana, que segue a pleno vapor, tem General Motors (GM), Google, Microsoft, entre outras.

 

Brasil. Na Bovespa, ontem, quando todo mundo só esperava a Petrobras, quem roubou a cena foi a Vale. As ações da mineradora saltaram mais de 9%, após divulgar a maior produção de minério para o período referente aos três primeiros meses do ano.

 

O escoamento da produção pelas estradas do país, porém, pode estar ameaçado nesta quinta-feira, diante da nova ameaça de paralisação dos caminhoneiros. Sem acordo com o governo federal sobre, principalmente, a criação de uma tabela com o preço mínimo do frete, a categoria pode parar hoje, por tempo indeterminado.

 

O governo brasileiro também sofreu uma derrota na Câmara. Comandados pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os deputados aprovaram um conjunto de emendas que estende a terceirização de todas as atividades de uma empresa, o que diminui a arrecadação na esfera federal.

 

Já o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, recebe os governadores do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (10h); do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (11h), pela manhã; e de Goiás, Marconi Perillo (18h), à tarde. Entre eles, o ministro participa ainda de um almoço com o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, e também da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), juntamente com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

 

Na agenda doméstica de indicadores, o dia começa com o IPC-S da FGV, logo mais, às 8 horas. Também é esperado para hoje os números sobre o emprego formal em março e sobre a confiança do empresário industrial em abril.

 

É válido lembrar que o dólar encerrou ontem no menor nível desde o início do mês passado, testado a marca de R$ 3,00. No mercado de juros futuros, as apostas para o Copom da semana que vem seguem firmes em 0,50 ponto porcentual. 

 

 

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