Enquanto isso, nos mercados...

22.04.2015

 

 

 

Enquanto aguardam ansiosamente pelo balanço financeiro da Petrobras, apenas no fim do dia, os investidores tomam risco nesta quarta-feira, o que reconduz a Bovespa para o nível dos 54 mil pontos e fez com que o dólar fosse negociado abaixo da marca de R$ 3,00, durante a sessão no balcão. A pergunta de US$ 1 milhão (ou mais) é se esse movimento é especulativo - no estilo do vôlei, “levanta para bater” - ou se é algo que veio para ficar por aqui.

 

Profissionais das mesas de operação no mercado doméstico consultados pelo A Bula do Mercado avaliam que a resposta vai depender, em grande medida, do que vier no balanço da estatal petrolífera. Isso porque o próprio ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deixou no exterior a mensagem de que quer colocar a “reconstrução” da companhia como um cartão de visita para o Brasil, o que tende a atrair capital, sobretudo estrangeiro.

 

Duas informações estão entre as mais aguardadas pelo mercado nos demonstrativos do ano passado da Petrobras, a fim de mensurar o tamanho do estrago da corrupção denunciada na Lava Jato. A primeira, é o valor que será descontado do patrimônio líquido da companhia por causa do superfaturamento de projetos - sobretudo os das refinarias de Pasadena (EUA) e de Abreu e Lima (PE), além do Comperj. A outra, é sobre a baixa contábil em si no resultado da empresa por causa do esquema de desvio de recursos.

 

Seja qual for o teor dessas informações, as ações da Petrobras têm espaço para subir ou para descer. “Tudo vai depender da leitura dos números”, afirma um operador de renda variável. Para ele, com o preço do papel da companhia cotado na faixa de R$ 13,00 “há um ponto de equilíbrio”, encontrando comprador e também vendedor.

 

Fluxo. Da mesma forma, o efeito do comportamento do balanço da Petrobras na Bovespa como um todo é incerto. O que se sabe é que “contra fluxo não há argumentos”, já diz uma velha máxima dos mercados financeiros.

 

Até porque o que vem garantindo a valorização da Bolsa brasileira em 2015 é o forte fluxo comprador dos “gringos”, que já colocaram cerca de R$ 15,5 bilhões no mercado à vista de ações desde o começo do ano até meados deste mês. No mercado futuro, a aposta dos investidores estrangeiros na alta do mercado acionário doméstico, a chamada “posição comprada”, já passa dos 80 mil contratos em aberto até o dia 20 - com um aumento de pouco mais de 10 mil contratos em relação há um mês antes.

 

No pregão de hoje, porém, aparecem mais ordens de venda por parte dos “gringos” do que de compra. Nada muito expressivo, mas que já mostra certa postura defensiva dos estrangeiros antes da Petrobras.

 

Ocorre que o dinheiro está rodando o mundo e os mercados emergentes têm sido alvo dessa farta liquidez global, Brasil inclusive. Ainda mais agora, que a China entrou de vez no modo “relaxamento”, reafirmando que tem “amplo espaço” para atuar apenas pouco tempo depois que entrou em vigor o programa de afrouxamento quantitativo (QE) do Banco Central Europeu (BCE).

 

Em meio à essa abundância de recursos, o mercado financeiro no Brasil vem melhorando. Esse fato é sentido já há algumas semanas, principalmente com a virada para o segundo trimestre, o que influencia no fluxo de/para investimentos em carteira.

 

Ainda assim, como diz um ditado nacional, é bom ir “devagar com o andor”.

 

O analista gráfico Gilberto Coelho, por exemplo, alerta que a tendência para a Bovespa ainda é de baixa. Para ele, a Petrobras já até trouxe um alívio e é normal uma ou outra empresa se sobressair, mas, no geral, “economia fraca e juros altos não combinam com euforia nem altas na Bolsa”, observa. Por isso, completa não se pode falar em Ibovespa acima dos 57 mil pontos - “exceto por correção de um possível câmbio em alta”.

 

Hoje, a moeda norte-americana ensaia estender essa correção para abaixo da marca de R$ 3,00. Mas a última vez que o dólar fechou abaixo deste valor ante o real foi no início de março.

 

Ainda assim, com os dados decepcionantes de atividade no Brasil reforçando o baixo dinamismo da economia, um operador de renda fixa acredita que o mote nos negócios locais é “meio que mais do mesmo”.

 

Nessa estratégia, explica o profissional, os players testam o nível psicológico de R$ 3,00, para baixo, mas mantêm apostas de aperto de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana que vem. A chance de uma alta menor, de 0,25pp, acrescenta, "ficou para trás".

 

 

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