Em ritmo de feriado no Brasil, China dá fôlego aos negócios


A segunda-feira espremida entre o fim de semana e o feriado amanhã no Brasil, pelo Dia de Tiradentes, deve ser de liquidez reduzida nos negócios. Ainda que os mercados domésticos funcionem a meio mastro hoje, o dia pode ser propício para a tomada de risco, após novos estímulos anunciados pela China, ontem, que içam as commodities e sustentam as bolsas europeias e os índices futuros de Wall Street em alta nesta manhã, conduzidas pelas ações de mineradoras.

Os líderes chineses entraram de vez no modo “relaxamento” e cortaram, pela segunda vez neste ano, agora em 1 ponto porcentual, a quantidade de dinheiro que as instituições financeiras devem deixar alocado na autoridade monetária, o chamado compulsório bancário. A nova taxa, de 18,5%, efetiva a partir deste dia 20, é ainda considerada muito alta para os padrões globais, mas a redução vai representar um aumento de cerca de 1,2 trilhões de yuans (US$ 195 bilhões) na concessão de empréstimos pelos bancos, injetando recursos na economia e estimulando a demanda.

O anúncio foi feito poucos dias após a segunda maior economia do mundo registrar o ritmo mais baixo de crescimento em seis anos e se segue às declarações do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, de intervir na economia, caso a desaceleração econômica atinja o emprego, e também à fala do presidente do Banco Central chinês (PBoC), Zhou Xiaochuan, de que a China “tem espaço para agir”.

Em reação, na Ásia, a Bolsa de Hong Kong registrou a maior queda porcentual em quatro meses, de -2,02%, ao passo que Xangai recuou 1,64%.

Porém, os negócios na China relegaram os estímulos anunciados pelo governo e mostraram-se mais preocupados com as novas regras em ambos os mercados para conter a margem de negociação e aumentar as vendas a descoberto. Após o rali mais longo da história das ações chinesas, os investidores receberam um lembrete, ao final da sexta-feira passada, do órgão regulador mobiliário na China, de que o mercado de US$ 7,3 trilhões não é apenas de apostas em uma direção única - no caso, de alta.

Ocidente. Já nesta manhã, o sinal positivo prevalece, seja na Europa ou em Nova York, , diante de uma agenda econômica do dia mais fraca e que reserva dados de atividade na zona do euro, nos Estados Unidos e na China, somente a partir de quarta-feira. Na safra norte-americana de balanços, hoje saem os resultados trimestrais de IBM e Morgan Stanley, entre outros.

Segundo um levantamento, dos 11% das companhias listadas no S&P 500 que já divulgaram seus balanços, 77% registraram ganhos por ação acima do consenso esperado, um porcentual acima da média, de 73% dos últimos cinco anos. Essas empresas que superaram as estimativas viram suas ações subir, em média, 2,2%, desde os dias anteriores ao anúncio até os dois dias seguintes. Na média de cinco anos, a alta é de 1%, no mesmo período.

Na Europa, as ações de empresas ligadas às commodities lideram os ganhos, onde a situação da Grécia ainda é monitorada de perto. A Bolsa de Atenas subia ao redor de 1,5% mais cedo, depois do tombo na semana passada, com os investidores à espera do encontro de ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo), no dia 24. A reunião é tida como uma chance para a Grécia pavimentar o caminho rumo a um acordo em maio, ganhando mais ajuda financeira e evitando um calote.

Em Washington, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, rejeitou as especulações de que a Grécia esteja sendo forçada a abandonar o euro, reiterando que a moeda única da região é irrevogável. Já o ministro de Finanças grego, Yanis Varoufakis, alertou para os riscos de contágio a outros países, em caso de um “Grexit”. O euro segue na casa de US$ 1,07 nesta manhã.

Brasil. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, também participou de vários compromissos em Washington, onde vem cumprindo a tarefa de “vender o Brasil” para os “gringos”. Durante o fim de semana, ele anunciou que o governo brasileiro planeja lançar, em maio, um novo programa de concessões de infraestrutura, a fim de atrair capital estrangeiro.

Tais aportes, é bom lembrar, poderiam ajudar a diminuir o rombo das contas externas, com o ingresso de investimento estrangeiro direto (IED) podendo voltar a financiar o déficit em transações correntes, como ocorreu até recentemente no país. Para Levy, há significativos efeitos colaterais em se ter um déficit de dívida elevado.

Hoje, o ministro participa de vários eventos em Nova York, onde a missão é, principalmente, reunir-se com investidores. Já o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, se desloca de volta para Brasília.

Na agenda do dia, têm-se as tradicionais divulgações de segunda-feira, a saber, a Pesquisa Focus (8h30) e os números semanais da balança comercial (15h). Os destaques por aqui no calendário ficam com as notas do setor externo (quarta-feira) e das operações de crédito (sexta-feira), em março.

Também são aguardados para esta semana os números do Caged do mês passado sobre o emprego formal do País, além de, claro, o balanço financeiro da Petrobras. É válido lembrar que o Conselho de Administração da estatal reúne-se nesta quarta-feira, dia 22 e, após o encontro, espera-se a divulgação dos demonstrativos contábeis auditados da companhia, referentes ao terceiro e quarto trimestres de 2014.

Hoje, em um pregão esvaziado na Bovespa, tem exercício de opções sobre ações. Ao que tudo indica, o noticiário envolvendo as duas vedetes do vencimento, Vale e Petrobras, favorece o jogo aos "comprados".

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