PIB chinês na mosca

15.04.2015

 

 

 

Exatamente em cima do alvo. A economia da China cresceu 7,0% no primeiro trimestre deste ano, na taxa anualizada, menos que o avanço de 7,3% no quarto trimestre do ano passado e no ritmo mais lento desde o último período de 2009. Ainda assim, o dado ficou em linha com as estimativas, sendo que alguns analistas já previam uma desaceleração para abaixo deste patamar, a 6,9%. Além disso, o resultado se equipara à meta de expansão de lideranças chinesas para todo o ano de 2015.

 

Porém, os demais indicadores sobre o gigante emergente decepcionaram, turvando o horizonte para este segundo trimestre. Em março, em base anual, a produção industrial chinesa cresceu 5,6%, ante previsão de +6,9%. As vendas no varejo do país subiram 10,2%, também menos que a estimativa de +10,9%. Por fim, os investimentos em ativos fixos avançaram 13,5% de janeiro a março, de uma expectativa de +13,8%.

 

Os números reforçam as preocupações com a perda de força da segunda maior economia do mundo, ao mesmo tempo que elevam as apostas por estímulos adicionais a serem adotados por Pequim. Em reação, a Bolsa de Xangai caiu 1,25%, mas a de Hong Kong ganhou 0,21%. Tóquio teve leve baixa, com o iene testando forças ante o dólar.

 

Já no Ocidente, os dados chineses se somam a uma agenda econômica intensa, que atinge o pico da semana nesta quarta-feira. E o investidor não pode perder o fôlego para os negócios até o fim do dia.

 

Agenda cheia. Logo cedo, no Brasil, sai o primeiro índice geral de preços (IGP) fechado do mês, o IGP-10 de abril (8h), e, na sequência o Banco Central informa o índice de atividade econômica, o chamado IBC-Br, referente ao mês de fevereiro (8h30). As apostas para o dado do BC, tido como um parâmetro para o PIB doméstico, são de uma taxa ligeiramente negativa ante janeiro, na mediana.

 

As atenções, então, se voltam para o exterior, onde o Banco Central Europeu (BCE) anuncia sua decisão de política monetária, às 8h45. Às 9h30, o comandante da autoridade na zona do euro, Mario Draghi, concede entrevista coletiva, e deve tecer comentários sobre o primeiro mês de relaxamento quantitativo (QE) na região da moeda única, com a injeção de 60 bilhões de euros, e falar das impressões iniciais sobre o programa, que vai até setembro do ano que vem.

 

À espera desse grande evento na Europa, as principais bolsas europeias exibem ganhos nesta manhã, relegando a China e apoiadas na alta dos preços do petróleo. A commodity mostra tração, após a Agência Internacional de Energia (AIE) prever aceleração na demanda em 2015, diante das baixas temperaturas e da melhora constante na recuperação econômica global - essa avaliação vem no dia de divulgação do PIB chinês mais lento em seis anos, sendo que o país é um grande comprador de petróleo.

 

O preço do barril do negociado em Nova York e em Londres sobe cerca 1%, cada. Entre as moedas, o euro ronda em baixa a faixa de US$ 1,06. E essa fraqueza da moeda única europeia impulsionou a balança comercial da região em fevereiro, com um avanço de 4% nas exportações ante janeiro garantindo um superávit de 20,3 bilhões de euros, de 7,6 bilhões de euros (dado revisado) no mês anterior.

 

Do outro lado do Atlântico Norte, tem dados de atividade nos Estados Unidos, mas o foco segue na safra norte-americana de balanços. Afinal, depois da boa surpresa com o JP Morgan, ontem, hoje o Bank of America divulga resultados cruciais e a expectativa é de ganho de US$ 0,29 por ação.

 

Outro ponto de relevo nos EUA está nos discursos de dirigentes do Federal Reserve programados para hoje. O vice e ex-FMI Stanley Fischer discursa em painel na antiga Casa, em Washington, onde a partir de hoje também estará presente o ministro da Fazenda, Joaquim Levy; e o presidente da distrital de Richmond, Jeffrey Lacker, fala a líderes empresariais na Carolina do Sul.

 

Ambos são membros votantes no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do BC dos EUA neste ano. James Bullard, de Saint Louis, que também fala hoje, não é. Entre os indicadores, destaque para a produção industrial norte-americana, às 10h15, que deve voltar a cair em março, após ter se recuperado em fevereiro, quando interrompeu dois meses consecutivos de recuo. Também será conhecida a utilização da capacidade instalada no país.

 

O calendário doméstico faz uma pausa até o meio-dia e meia, quando o BC retorna para informar os números semanais do fluxo cambial neste início de abril. Em março, vale lembrar, houve um saldo positivo líquido de ingresso de US$ 2 bilhões, sendo que boa parte dos recursos chegou pela via financeira.

 

A Bovespa vem sendo um dos prováveis destinos dos aportes externos, com os investidores estrangeiros comprando cerca de R$ 3,5 bilhões em ações brasileiras apenas neste início de abril até o último dia 10. Trata-se de quase a totalidade do valor colocado pelos “gringos” ao longo do mês de março, quando a conta fechou positiva em R$ 3,8 bilhões. No ano, o chamado superávit de capital estrangeiro soma R$ 13,4 bilhões.

 

Hoje, aliás, é dia de vencimento de índice futuro e de opções sobre Ibovespa. No jogo, os “gringos” entram “comprados” (aposta na alta) com 88.424 contratos líquidos (em aberto) até segunda-feira (13), no dado mais recente. Tratam-se de outros R$ 4,7 bilhões garantidos nessa estratégia, considerando a pontuação de fechamento do contrato de abril na mesma data.

 

Ontem, o Ibovespa se rendeu à recente fraqueza ensaiada e encerrou definitivamente no campo negativo, com queda de quase 0,50%, a primeira após três sessões no azul. Ficou a dúvida sobre se o principal índice acionário à vista terá forças para ir um pouco mais adiante na faixa dos 50 mil pontos, rumo a um novo degrau.

 

Mas o dia será longo e, juntamente com os ajustes finais do exercício na Bolsa brasileira, a tarde reserva ainda a publicação do Livro Bege do Federal Reserve (15h), além dos números do fluxo de capital estrangeiro de/para os EUA em fevereiro (17h).

 

Tudo isso, é bom lembrar, será olhado no Brasil sem descuidar da política, com o projeto de terceirização ainda em discussão no Congresso. Já no Executivo, a presidente Dilma Rousseff resolveu duas pendências: nomeou Henrique Alves para o Turismo e indicou um jurista ligado ao PT para a vaga no STF.

 

 

 

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